Youtube: a última trincheira do caudilho da mídia

A última guerra travada pelos barões da mídia tradicional contra a liberdade da internet é pelos direitos de imagem do acidente sofrido pelo piloto polonês Robert Kubica no GP do Canadá de Fórmula 1 no último domingo, dia 10. A FOM (Formula One Management) está mandando deletar todos os vídeo do acidente que estiverem no Youtube, inclusive alguns feitos pelos torcedores que estavam nas arquibancadas. Ouvi dizer que a Rede Globo também aproveitou o seu facão que passa por lá há alguns dias para detonar quem subiu algum desses vídeos com narração do Galvão Bueno.

A indústria fonográfica já sucumbiu à internet há tempo suficiente para que outros setores tirassem lições valiosas de como lidar e prosperar nessa nova realidade, haja vista os novos modelos de negócios e segmentos inteiros que se reinventam continuamente. Steve Jobs, depois de encher o rabo de dinheiro, está abolindo o DRM. E ganhando mais dinheiro com isso, claro. Enquanto a RIAA tentar prender criancinhas…

Mas quem adquiriu seu quinhão de poder na canetada, por decreto e/ou apadrinhamento não aceita que alguém competente crie um negócio melhor, mais eficiente e, por que não, mais lucrativo que o seu. A resenha do Alexandre Fugita sobre o MediaOn (1º Seminário de Jornalismo Online) é o exemplo mais claro de como o caudilho da mídia está em toda parte, até entranhado na internet. Em seu post ele comenta, entre outras coisas, o discurso da diretora de conteúdo do UOL, Márion Strecker, que diz que o conteúdo colaborativo é quase como uma doença que deve ser tratada com cuidado. Se a direção de um dos maiores provedores de acesso à internet do Brasil e um dos maiores provedores de conteúdo em língua portuguesa no mundo pensa assim, imagina então como andam as coisas nos impérios familiares…

O VOD (video on demand) é a nova guerra em que os senhores feudais tentam prolongar o século XX. Apesar dos holofotes o Joost não é a revolução, não nesta batalha, porque Zennström se institucionalizou, a índústria de entretenimento veicula material na sua “tv” e anunciantes tradicionais compram o “intervalo comercial”. Na realidade, em boa parte do mundo, o Joost está é saturando infraestruras e essa é uma outra luta.

O Youtube é a última trincheira da guerra dos vídeos na internet. É no Youtube que a massa digital compartilha suas preferências e busca entretenimento, sem distinção de raça, credo ou DRM. Haja Viacoms, Cicarellis e FOMs para empatar essa luta quixotesca. Guardada as devidas proporções e particularidades, isso muito me lembra Napster x O Mundo. Por incrível que pareça tem muita gente que não aprendeu a lição.

 

Desabafos ideológicos irão longe quando esses coolers em oferta no Submarino estiverem cheios de latinhas:
       

2 Respostas

  1. Essa briga ainda vai longe, se a FOM não aprender a distribuir conteudo como a NBA, NFL e outras ligas profissionais americanas vai sempre alvo de problemas como o do vídeo do Kubica.

    Criar um user especial com vídeos e matérias seja a grande saída, porque ai evita que seus vídeos sejam upados por terceiros, e mantém um bom controle sobre a qualidade deles.

    A Globo também poderia agir assim, mas dificil é colocar isso na cabeça dos manda-chuva dessas instituições

  2. É Bruno, aquele senhor de 80 anos que manda na F1 foi um visionário no século passado, quem sabe seus herdeiros o sejam neste século.

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