Os bons tempos da Fórmula 1: um passado que nunca existiu – Parte 2

Para emitir minha opinião sobre o panorama atual da Fórmula 1 eu fui pesquisar ‘os bons tempos da F1’ que tanto falam. Faz uns 10 dias estou a baixar e assistir alguns GPs de épocas diferentes com pilotos, tecnologias e regulamentos distintos. Mas antes de fazer os reviews das corridas na íntegra que achei, vou elencar dados brutos sobre algumas corridas de que já falei por aqui:

  • GP da Itália 1953: 31 carros largaram, entre eles 7 Ferrari e 8 Maserati; apesar de ter 80 voltas com a duração de quase 3 horas, 4 pilotos chegaram brigando na última curva, o resto ficou pelo caminho…

  • GP da França 1954: a Mercedes estréia a Flecha Prateada e o modelo carenado deu um show sobre os “antigos” modelos e apenas seus dois pilotos, Juan-Manuel Fangio e Karl Kling terminaram na mesma volta, aliás, quase no mesmo segundo!

  • GP da Itália 1961: apesar do acidente fatal com Von Trips logo na 1ª volta, as 43 voltas foram disputadas normalmente na versão longa de Monza, com 10km de extensão, e mesmo assim apenas 5 pilotos terminaram a corrida na mesma volta, com a diferença entre Phill Hill [Ferrari], 1º colocado, e Tony Brooks [BRM], o 5º, de 2’40” (dois minutos e quarenta segundos).

  • GP dos EUA 1967: apenas as Lotus de Jim Clark e Graham Hill completaram as 108 voltas disputadas em Watkins Glen, que teve apenas 7 carros chegando ao final. O último, Jean-Pierre Beltoise [Matra], chegou 7 voltas atrás dos líderes.

  • GP de Mônaco 1970: corrida de começo disputado, todo mundo embolado, mas o pessoal foi ficando pelo caminho, e apenas 7 acabam a corrida. Mesmo terminando na mesma volta a distância foi grande entre Jochen Rindt [Lotus], com 33″ de vantagem para Jack Brabham [Brabham], que chegou 28″ na frente de Henri Pescarolo [Matra], que por sua vez teve vantagem de 36″ sobre Denny Hulme [McLaren].

  • GP da Inglaterra 1977: 10 carros não conseguiram se classificar para o grid de largada, ou seja, quase 1/3 dos carros que foram para a pista disputar uma posição no grid de largada não tiveram capacidade/competência/equipamento para tal.

Bem, dessas corridas só consegui reviews, que mostram apenas os melhores momentos, não toda a realidade dos números. Faço agora a análise das corridas na íntegra que re-assisti com  os olhos de hoje:

 

GP da Itália 1981 – Hoje, 26 anos atrás

13/09/1981 – Faltando três corridas para o final da temporada, Piquet e Reutemann estava empatados na pontuação e Prost vinha se aproximando, por isso a corrida prometia muitas emoções, mas o que se viu foi Prost assumindo a liderança logo na largada e chegando em 1º, sem nenhuma ameaça. Piquet fez uma corrida linear também, mais herdando posições do que conquistando-as no braço e Reutemann só voltou a aparecer na transmissão quando alcançou Pironi.

Dois pilotos empatados na liderança do campeonato, múltiplos fornecedores de pneus e sem paradas para reabastecimento, tudo isso numa das mais rápidas e tradicionais pistas do circuito de Fórmula 1, não era para ter sido 100% espetáculo?

Curiosidade: o arquivo que assisti tinha a narração de Murray Walker e comentário de James Hunt.

 

GP Portugal 1989, foi bom enquanto Mansel durou

24/09/1989 – Airton Senna [McLaren] tinha a pole position, mas Gerhard Berger [Ferrari] largou melhor, assumiu a primeira posição e ganhou a corrida, com uma folga de 32″ sobre o 2º colocado.
As emoções da corridas foram proporcionadas por Nigel Mansell [Ferrari], que largou em terceiro e ficou atrás do Senna por algumas voltas enquanto Berger abria vantagem. Passando Senna, Mansell fez uma série de voltas mais rápidas na corrida e logo chegou em Berger. Ao chegarem em um grupo de retardatários Mansell passa todo mundo numa só manobra. Quando ele teve que fazer sua parada para reabastecimento e troca de pneus ele entrou muito veloz e teve que manobrar de ré para parar no lugar certo, o que lhe fez perder muito tempo, retornando na 4ª posição. Mais uma vez ele tirou a diferença na pista e estava tentando ultrapassar Senna para conquistar a 2ª posição quando foi desclassificado por ter recebido ajuda dos mecânicos naquela manobre no pit stop, mas ignorou a bandeira preta e ao tentar passar Airton Senna no final da reta principal acabaram batendo e destruindo a suspensão traseira da McLaren.
Depois disso foram cerca de 30 minutos de passeio de Berger e Prost.
Se quem fez a 1ª curva na frente ganhou a corrida, apenas UM piloto ousado dando show, poucas ultrapassagens e grande diferença de tempo na classificação final. Estranho…
Com 39 carros disputando uma vaga no grid de largada onde será que foi que aconteceu todas as emoções dessa corrida mesmo?

 

GP da Europa 1995, a volta de Nurburgring ao circo da Fórmula 1

01/10/1985 – Com a pista úmida por causa das chuvas no final de semana, quase todo mundo larga com pneus para chuva. Jean Alesi [Ferrari] arrisca largar com pneus slick e se dá bem, a pista seca rapidamente e todo mundo tem que parar para trocar de pneu e logo na 13ª volta ele passa a liderar a corrida com grande folga sobre Michael Schumacher [Benetton].
No meio da corrida Alesi faz seu único pit stop e pela vantagem que tinha ainda voltou na frente. Damon Hill [Williams] tentou ultrapassá-lo e perdeu o bico do carro.
A partir da volta 40 Schumacher começa a fazer voltas mais rápidas e começa a diminuir a diferença. Após sua 3ª parada nos boxes e uma errada de Alesi na volta 60 ele encosta na Ferrari, que com os pneus já deteriorados não resiste ao ataque por muito tempo e Schumacher assume a liderança a duas voltas do final e ganhando a corrida em casa.
Jean Alesi teria vencido com folga esta corrida caso Schumacher não tivesse feito uma corrida de recuperação e buscado a vitória a todo custo. Com poucas ultrapassagens a transmissão foi dedicada na primeira metade ao passeio de Alesi e o restante à escalada de Schumacher.

 

GP da Hungria 2003 – primeira vitória de Fernando Alonso

24/08/2003 – A 13ª etapa chega com três pilotos na briga pelo título: Michael Schumacher [Ferrari] com 72 pontos, Juan Pablo Montoya [Williams] com 71 pontos e Kimi Raikkonen [McLaren] com 70 pontos. Mas o final de semana foi de Fernando Alonso [Benetton], que fez a pole position e ganhou a corrida de ponta a ponta, sem nenhuma ameaça sequer.
Alonso correu na liderança com folga e também não grandes disputas no pelotão intermediário, mesmo todo mundo fazendo três paradas para reabastecimento e troca de pneus. ALiás, só deu Michelin até a 7ª posição.
A transmissão era da TVE espanhola, me deu saudades do Galvão Bueno. Sério!

 

Pois bem, este foram os cenários analisados, os dados do início da história mais a análise de corridas de épocas distintas. Algumas históricas, como a volta de Nurburgring ao circo no GP da Europa 1995 e a primeira vitória de Fernando Alonso no GP da Hungria de 2003. Tudo isso mais as opiniões e comentários técnicos, especialistas e alienados que rolaram nesta semana me ajudaram a emitir opinião, no terceiro post desta série.

 

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2 Respostas

  1. […] eu fiz uma pesquisa histórica de narrações completas de corridas e escrevi a série OS BONS TEMPOS DA FÓRMULA 1, UM PASSADO QUE NUNCA EXISTIU; entre os vídeos que consegui foi o GP da Hungria 2003 na íntegra e narrado em espanhol. Você […]

  2. […] e Bélgica eu baixava, assistia e pesquisava para escrever sobre Os Bons Tempos da Fórmula 1: Um Passado Que Nunca Existiu. Enquanto isso o campeonato seguiu […]

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